sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Quando a gente é adolescente, sente uma atração pelos extremos. Tudo é intensidade: calor tem que ser muito, diversão idem, paixão ibidem. A gente sempre pende pra um único lado, uma opinião, um hábito, às vezes até, um vício. Mas o tempo traz novos ventos na vida, muda a nossa forma de pensar a partir das experiências que vamos adquirindo. É a tão falada maturidade. Começamos a relativizar as coisas, a ser mais flexíveis, pelo menos é isso que espera-se de um ser humano em evolução. É aquela boa e velha carta do tarot: a Temperança, que chega pra dar um tempero nas loucuras e arroubos do Louco.
Sinto-me em plena “temperança”. Amava o verão com toda a intensidade juvenil, mas, diante do Aquecimento Global, tive que me render e estou mais afeita às temperaturas amenas. Até o rosto, que antes eu expunha com vontade ao sol de meio-dia nas praias, hoje tento proteger a todo custo com filtros solares 60 e bonés (até porque luto pra fazer sumir um belo melasma que os anos de sol me deixaram de herança). É… o tempo passou, a pele reclamou e agora virei fã do caminho do meio, como Buda, do outono e seus dias lindos e da primavera com a promessa de tempos melhores.
Dizem que as fases da vida repetem as estações. A gente nasce na primavera (daí se diz que a pessoa completou mais uma primavera quando faz aniversário), cresce e fica jovem no verão, amadurece no outono, na meia-idade, envelhece e morre no inverno, pra depois recomeçar tudo de novo em uma nova primavera são as novas encarnações que todos nós vivenciamos.
A estação das flores chegou. É um convite a recriar a vida, sair da hibernação do inverno e recomeçar. Bom seria se a gente aprendesse a fluir no movimento harmônico das quatro estações. Sorrindo no verão, refletindo no outono, guardando forças no inverno e despertando novamente a vida em nós, a cada mês de setembro.

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